PALESTRAS TEOLÓGICAS

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APOSTILA HISTÓRIA ECLESIÁSTICA I

 

SETA - SEMINÁRIO EVANGÉLICO TEOLÓGICO DA AMEOVALE

MÓDULO: HISTÓRIA ECLESIÁSTICA I

Prof.: Pr. Gerson Moura Martins – (24) 9992-8997


AULA 1: AS SETE IGREJAS DO APOCALIPSE

A linha doutrinária dispensacionalista entende que as sete Igrejas do Apocalipse, objeto das sete cartas, devem ser entendidas como sete eras da Igreja. Assim, estas são as orientações da Jesus à sua Igreja em todos os tempos, em todos os lugares.

Éfeso (desejável) - Período de Cristo até o ano 100 (Apocalipse 2:1-7)

Era da Pureza Apostólica. Numa só geração foi o evangelho levado a toda nação debaixo do Céu. Pouco a pouco, ocorreu, porém, uma mudança. A Igreja perdeu seu primeiro amor. Ela tornou-se egoísta e amante da comodidade. Foi acalentando o espírito de mundanismo. O inimigo lançou o seu fascínio sobre aqueles a quem Deus dera luz para um mundo em trevas.

Esmirna (perfume suave) – Período de 100 a 313 d.C. (Apocalipse 2:7-11)

Era de Perseguição e Martírio. Uma atroz perseguição cumpriu essa predição. Iniciado por Dioclesiano(período de dez anos) em 303, os ataques aos cristãos continuaram até o cristianismo ser reconhecido como religião legal do Império pelo famoso Edito de Milão, promulgado por Constantino em 313.

Pérgamo (elevação) - Período de 313-538 (Apocalipse 2:12-17)

Era dos Compromissos (com o Estado). Esse paganismo na igreja foi tirando sua força espiritual. A “Espada do Espírito” torna-se espada de punição para os que rejeitam o amor de Cristo, deturpam a verdade e se opõem a Seu povo.

Tiatira (sacrifício de contrição) - Período de 538-1517 (Apocalipse 2:18-29)

Era da Apostasia. Representa o período da história da Igreja em que a fé simples foi mudada por meio da apostasia, ou sacrificada, sendo substituída por obras e penitências.

Sardes (cântico de alegria) - Período de 1517-1798 (Apocalipse 3:1-6)

Era da Reforma. Os que lideraram a Reforma eram homens de vigorosa consagração, mas seus seguidores, supondo que todas as batalhas já haviam sido ganhas, acomodaram-se em religião organizada.

Filadélfia (amor fraternal) - Período de 1798-1844 (Apocalipse 3:7-13)

Era do Reavivamento. Representa a última parte do século XVIII e a primeira do século XIX, com o nascimento da expansão missionária e a organização das Sociedades Bíblicas. Começa a estudar-se Daniel e Apocalipse e surgem os maiores reavivamentos da História.

Laodicéia (povo do juízo) - Período de 1844 até hoje (Apocalipse 3:14-22)

A Era Presente. Convite e promessa: Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo.Ao que vencer, eu lhe concederei que se assente comigo no meu trono.


AULA 2: O PERÍODO INTERBÍBLICO

Esse período teve a duração de aproximadamente 450 anos. Normalmente se faz referência a esse tempo como uma época em que Deus esteve em silêncio para com o seu povo. Nenhum profeta de Deus se manifestou ou, pelo menos, nenhum deixou escritos que tenham sido considerados canônicos.

O Império Persa - Final do AT

O Velho Testamento termina com as palavras de Malaquias, o qual profetizou entre 450 e 425 a.C.. Nesse tempo, a Palestina estava sob o domínio do Império Persa, o qual se estendeu até o ano 331 a.C.. Embora o rei Ciro tenha autorizado os judeus a retornarem do exílio, o domínio Persa continuava sobre eles. De volta à Palestina, o povo judeu passou a ter um governo local exercido pelos sumo sacerdotes, embora não houvesse independência política. Eram comuns as disputas pelo poder.

O Império Grego - 335 a 323 a.C.

Paralelamente ao Império Persa, crescia o poder de um rei macedônico, Felipe, o qual empreendeu diversas conquistas na Ásia menor e ilhas do mar Egeu, anexando a Grécia ao seu domínio. Desejando expandir seu território, entrou em confronto com a Pérsia, o que lhe custou a vida. Foi sucedido por seu filho, Alexandre Magno, que também ficou conhecido como Alexandre, o Grande, o qual havia estudado com Aristóteles. A mitologia grega, com seus deuses e heróis parece ter inspirado o novo conquistador. Alexandre tinha 20 anos quando começou a governar. Seu ímpeto imperialista lhe levou a conquistar a Síria, a Palestina (332 a.C.) e o Egito. No Egito, Alexandre construiu uma cidade em sua própria homenagem, dando-lhe o nome de Alexandria, a qual se encontrava em local estratégico para o comércio entre o Mediterrâneo, a Índia e o extremo Oriente. Alexandre se denominou então "Rei da Ásia" e passou a exigir para si o culto dos seus subordinados, de conformidade com as práticas babilônicas. Quanto aos judeus, Alexandre os tratou bem e teve muitos deles em seu exército. Após a sua morte, o Império Grego foi divido entre os seus generais, dentre os quais nos interessam Ptolomeu, a quem coube o governo do Egito, e Seleuco, que passou a governar a Síria.

O Governo dos Ptolomeus - 323 a 204 a.C.

A Palestina ficou sob o domínio do Egito. Os descendentes de Ptolomeu foram chamados Ptolomeus. Eis os nomes que se sucederam enquanto a Palestina esteve sob o seu governo:
> Ptolomeu I (Sóter) - 323 a 285 a.C.
> Ptolomeu II (Filadelfo) - 285 a 246 a.C. – Durante o seu governo foi elaborada, em Alexandria, a Septuaginta, tradução do Antigo Testamento para o grego. Filadelfo foi amável com os judeus.
> Ptolomeu III (Evergetes) – 246 a 221 a.C.
> Ptolomeu IV (Filópater) - 221 a 203 a.C.

O Governo dos Selêucidas - 204 a 166 a.C.

Os reis da Síria, descendentes do general Seleuco, foram chamados Selêucidas. Nesse período a Palestina esteve sob o domínio da Síria. Eis a relação dos selêucidas do período:
> Antíoco III - O Grande – 223 a 187 a.C.
> Seleuco IV (Filópater) – 187 a 175 a.C.
> Antíoco IV (Epifânio) - 175 a 163 a.C.

Em Israel, o governo local era exercido por Onias, o sumo sacerdote. Contudo, Epifânio comercializou o cargo sacerdotal, vendendo-o a Jasão por 360 talentos. Epifânio se esforçou para impor a cultura e a religião grega em Israel, atraindo sobre si a inimizade dos judeus. Tendo ido ao Egito, divulgou-se o boato da morte de Epifânio, motivo pelo qual os judeus realizaram uma grande festa. Ao tomar conhecimento do fato, o rei da Síria promoveu um grande massacre, matando 40 mil judeus.

O Governo dos Macabeus - 167 a 37 a.C.

Surge no cenário judaico uma importante família da tribo de Levi: os Macabeus. Em 167, o macabeu Matatias se recusa a oferecer sacrifício a Zeus. Outro homem se ofereceu para sacrificar, mas foi morto por Matatias, o qual organiza um grupo de judeus para oferecer resistência contra os selêucidas. Tal movimento ficou conhecido como a Revolta dos Macabeus. A Palestina continuou sob o domínio da Síria. Contudo, a Judéia voltou a possuir um governo local, exercido pelos Macabeus. Ainda não se tratava de independência, mas já havia alguma autonomia.

O Império Romano – 37 a.C. e todo o período do Novo Testamento.

Sendo nomeado por Roma como rei da Judéia, Herodes passou a governar um grande território. Contudo, sua insegurança e medo de perder o poder o levaram a matar Aristóbulo, irmão de Mariana, por afogamento. Depois, matou a própria esposa e estrangulou os filhos. A violência de Herodes provocou a revolta dos judeus. Para apaziguá-los, o rei iniciou uma série de obras públicas, entre as quais a construção (reforma) do templo, que passou a ser conhecido como Templo de Herodes.

No tempo do nascimento de Cristo, o Imperador era Augusto, o qual instituiu o culto a si mesmo por parte dos seus súditos. Em algumas regiões havia a figura do rei. Naquele mesmo período o rei da Palestina era Herodes. Esta região teve sua divisão política alterada diversas vezes, sendo até governada por mais de um rei em determinados momentos. Além do rei, havia em algumas épocas e lugares a figura do procurador, ou governador.

Na província da Judéia havia uma instituição local chamada Sinédrio, o qual era formado por 71 membros e presidido pelo sumo sacerdote. O Sinédrio era o supremo tribunal local e tinha poderes para julgar questões civis e religiosas, uma vez que as duas coisas eram tratadas pela mesma lei. Tais autoridades tinham até mesmo a prerrogativa de aplicar a pena de morte contra crimes cometidos na comunidade local. A polícia recebia ordens do Sinédrio.

Havia ainda outro tipo de província. Eram aquelas conquistadas há mais tempo e já pacificadas. Os habitantes desses lugares tinham cidadania romana. Era o caso do apóstolo Paulo, que nasceu em Tarso, e tinha o direito de ser considerado cidadão romano. Tal prerrogativa proporcionava diversos direitos, principalmente tratamento respeitoso e especial nas questões jurídicas. Um cidadão romano não podia, por exemplo, ser açoitado. Paulo foi submetido a açoites, mas seus algozes ficaram atemorizados quando souberam que tinham espancado um cidadão romano (Atos 16.37-38). Com base no mesmo direito, Paulo apelou para César quando quis se defender das acusações que lhe eram feitas (Atos 25.10-12).

Imperadores Romanos no Período do Novo Testamento

> César Augusto Otaviano - ano 27 a.C. a 14 d.C. - Nascimento de Jesus - Início do culto ao Imperador. (Lc.2.1)
> Tibério Júlio César Augusto - 14 a 27 - Ministério e Morte de Jesus. (Lc.3.1).
> Gaio Júlio César Germânico Calígula - 37 a 41 - Quis sua estátua no templo em Jerusalém. Morreu antes que sua ordem fosse cumprida.
> Tibério Cláudio César Augusto Germânico - 41 a 54 - Expulsou os judeus de Roma. (At.18.2).
> Nero Cláudio César Augusto Germânico - 54 a 68 - Começa perseguição de Roma contra os cristãos. Paulo e Pedro morrem (At. 25.10; 28.19).
> Sérvio Galba César Augusto 68 - Cerco a Jerusalém.
> Marcos Oto César Augusto - 69 – mantém o cerco a Jerusalém.
> Aulus Vitélio Germânico Augusto - 69 - mantém o cerco a Jerusalém.
> César Vespasiano Augusto - 69 a 79 – Tinha sido general de Nero. Coloca seu filho Tito como general. No ano 70, determina a destruição de Jerusalém.
> Tito César Vespasiano Augusto - 79-81.
> César Domiciano Augusto Germânico - 81 a 96 - Exigia ser chamado Senhor e Deus. Grande perseguição. O apóstolo João ainda vivia durante o governo de Domiciano.


AULA 3: O AMBIENTE DO NASCIMENTO DO CRISTIANISMO

O Cristianismo nasceu na pequena Palestina, então sob o jugo romano; ela estava dividida em províncias que a grosso modo, eram: Judéia, ao sul; Samaria, no centro; e Galiléia ao norte. A cidade principal de toda essa região era Jerusalém; e em 63 a.c. ela foi subjugada por Pompeu, general romano. E a região chamada Palestina foi conquistada pelos romanos em 64 a.C.

Segundo o Evangelho de Mateus e o de Lucas, Jesus nasceu em Belém, uma cidadezinha cerca de 08 quilômetros ao sul de Jerusalém; ela é chamada Belém da Judéia (ou Belém de Judá), porque há uma outra Belém, chamada Belém de Zabulon, mencionada em Josué 19:16, cerca de 11 km a noroeste de Nazaré, na Galiléia, e é identificada com a atual Beith Lahm; e é a mesma Belém do juiz Abesã (ou Ibsã) que julgou Israel sete anos, mencionada em Juízes 12:8-10. Belém de Judá é a terra da Casa de Davi ( 1 Samuel16:4 segs; na Bíblia Católica é 1 Reis); em Miquéias, em 5:1, ela é glorificada como a terra da origem da dinastia de Davi e, portanto, do descendente de Davi que reinará sobre Israel.




A Diáspora

Nos dias do Novo Testamento, a população judaica encontrava-se dispersa por vários lugares. Além da própria Palestina, havia inúmeros judeus em Roma, Egito, Ásia Menor, etc. (Atos 2.9-11; Tiago 1.1; I Pedro 1.1). Tal dispersão, que recebe o nome de Diáspora, tem razões diversas, começando pelos exílios para a Assíria e Babilônia, e se completando por interesses comerciais dos judeus, e até mesmo em função das dificuldades que se verificavam em sua terra natal. Esse quadro se apresenta como cumprimento claro dos avisos divinos acerca da dispersão que viria como conseqüência do pecado de Israel (Dt.28.64).

Assim, o judaísmo acabou se dividindo em função da distribuição geográfica. Havia o judaísmo de Jerusalém, mais ligado à ortodoxia, e o judaísmo da Diáspora, ou seja, praticado pelos judeus residentes fora da Palestina. Se até na Palestina, os costumes gregos se impunham, muito mais isso ocorria na vida dos judeus em outras regiões. Isto fez com que eles se preocupassem com o futuro de suas tradições e sua religião. Tomaram então providências para que o judaísmo não sucumbisse diante do helenismo, como a tradução do Velho Testamento do hebraico para o grego, chamada Septuaginta.

Para muitos judeus conservadores, o judaísmo era propriedade nacional e não devia ser propagado entre outros povos. Já os judeus da Diáspora se dedicaram a conquistar gentios para a religião judaica. Tal fenômeno recebe o nome de proselitismo. Os novos convertidos eram chamados prosélitos (Mateus 23.15 Atos 2.9-11; 6.5; 13.43). Essa prática difusora da religião também foi adotada por judeus de Jerusalém, mas em escala bem menor.


As Sinagogas

O surgimento das sinagogas é normalmente atribuído ao período do exílio babilônico, quando os judeus deixaram de ter um templo para adorar e sacrificar. O fato indiscutível é que nos dias do Novo Testamento, tais locais de oração, ensino e administração civil eram muito valorizados. Em qualquer localidade onde houvesse 10 judeus, podia ser aberta uma sinagoga. Em cidades grandes poderia haver várias, como era o caso de Jerusalém. A liderança da sinagora era exercida pelo rabi (mestre), o qual era eleito pelos membros daquela comunidade.

Quando, seguindo-se à conquista de Alexandre, o helenismo mudou a mentalidade do Oriente Médio, alguns judeus se apegaram ainda mais tenazmente do que antes à fé de seus pais, ao passo que outros se dispuseram a adaptar seu pensamento às novas idéias que emanavam da Grécia. Por fim, o choque entre o helenismo e o judaísmo deu origem a diversas seitas judaicas:




Os Fariseus

Os fariseus eram os descendentes espirituais dos judeus piedosos que haviam lutado contra os helenistas no tempo dos Macabeus. O nome fariseu, “separatista”, foi provavelmente dado a eles por seu inimigos, para indicar que eram não-conformistas. Pode, todavia, ter sido usado com escárnio porque sua severidade os separava de seus compatriotas judeus, tanto quanto de seus vizinhos pagãos. A lealdade à verdade às vezes produz orgulho e ate mesmo hipocrisia, e foram essas perversões do antigo ideal farisaico que Jesus denunciou. Paulo se considerava um membro deste grupo ortodoxo do judaísmo de sua época. (Fp 3.5).

Saduceus

O partido dos saduceus, provavelmente denominado assim por causa de Zadoque, o sumo sacerdote escolhido por Salomão (1Rs 2.35), negava autoridade à tradição e olhava com suspeita para qualquer revelação posterior à Lei de Moisés. Eles negavam a doutrina da ressurreição, e não criam na existência de anjos ou espíritos (At 23.3). Eram, em sua maioria, gente de posses e posição, e cooperavam de bom grado com os helenistas da época. Ao tempo do N.T. controlavam o sacerdócio e o ritual do templo. A sinagoga, por outro lado, era a cidadela dos fariseus.

Essênios

O essenismo foi uma reação ascética ao externalismo dos fariseus e ao mudanismo dos saudceus. Os essênios se retiravam da sociedade e viviam em ascetismo e celibato. Davam atenção à leitura e estudo das Escrsturas, à oração e às lavagens cerimoniais. Suas posses eram comuns e eram conhecidos por sua laboriosidade e piedade. Tanto a guerra quanto a escravidão era contrárias a seus princípios.
O mosteiro em Qumran, próximo às cavernas em que os Manuscrito do Mar Morto foram encontrados, é considerado por muitos estudiosos como um centro essênio de estudo no deserto da Judéia. Os rolos indicam que os membros da comunidade haviam abandonado as influências corruptas das cidades judaicas para prepararem, no deserto, “o caminho do Senhor”. Tinham fé no Messias que viria e consideravam-se o verdadeiro Israel para quem Ele viria.

Escribas

Os escribas não eram, estritamente falando, uma seita, mas sim, membros de uma profissão. Eram, em primeiro lugar, copista da Lei. Vieram a ser considerados autoridades quanto às Escrituras, e por isso exerciam uma função de ensino. Sua linha de pensamento era semelhante à dos fariseus, com os quais aparecem freqüentemente associados no N.T.

Herodianos

Os herodianos criam que os melhores interesses do judaísmo estavam na cooperação com os romanos. Seu nome foi tirado de Herodes, o Grande, que procurou romanizar a Palestina em sua época. Os herodianos eram mais um partido político que uma seita religiosa.


AULA 4: EXPANSÃO DO CRISTIANISMO APOSTÓLICO

A difusão do Cristianismo inicia-se no seio da comunidade judaica de Jerusalém. A seguir, devido a perseguição à Igreja movida por Saulo, e a morte do primeiro mártir, Estevão (At 7.54-60, 8.1-3).

De perseguidor, Paulo torna-se seguidor e grande difusor, e através dele a mensagem do Evangelho ganha projeção mundial, não só geograficamente pelo seu trabalho missionário, mas também culturalmente pela sua exposição da mensagem cristã dentro dos conceitos gregos. Seu vigoroso pensamento formado por elementos tanto judeus quanto não judeus, possibilitou ao Espírito Santo fazer de suas cartas uma boa nova para toda a humanidade. “... a palavra da verdade do evangelho, que já chegou até vós, como também está em todo o mundo e já vai frutificando..." (Col 1.5b,6a).

O Cristianismo conquista os judeus dispersos por todo o Império Romano, ganhando as províncias orientais - o Egito, a Ásia Menor e a Grécia. Convertendo os judeus de Alexandria, Éfeso, Antióquia, Corinto e outros centros lança as primeiras bases para se fazer ouvir pelos pagãos.

Próximo ao ano de 90 d.C. morria João, o último dos doze apóstolos. Mas o alicerce estava lançado. Roma, o mundo e a História, jamais seriam os mesmos. A pequena semente de mostarda começava a brotar e crescer, para dar alívio e cura a um mundo mergulhado na idolatria, na violência, no homossexualismo, no infanticídio, na vazia especulação filosófica, no negro ocultismo. "Enquanto o grande corpo (do Império Romano) foi invadido pela violência aberta, ou solapado pela lenta decadência, uma religião humilde e pura, gentilmente insinuou-se para dentro da mente dos homens, cresceu em silêncio e obscuridade, recebeu novo vigor da oposição, e finalmente erigiu a triunfante bandeira da cruz, sobre as ruínas do Capitólio”.


O Sangue dos Cristãos Também é Semente

Não tardaria e este grupo de pessoas entraria em conflito cada vez maior com o sistema existente. Sua vida pura, sua fé incomum, seu zelo, perturbaram o paganismo. Acusações de todos os tipos eram lançadas sobre os cristãos. Quando no ano de 68 d.C. Roma foi incendiada, provavelmente pelo próprio Imperador Nero, que para desviar a culpa de si, lançou-a sobre os cristãos, iniciando uma onda de perseguição e morte sobre a Igreja de Roma. “Em primeiro lugar prenderam os que se confessavam cristãos, e depois pelas denuncias destes, uma multidão inumerável, os quais todos não tanto foram convencidos de haverem tido parte no incêndio, mas de serem inimigos do gênero humano. O suplício destes miseráveis foi ainda acompanhado de insultos, porque ou os cobriam com peles de animais ferozes para serem devorados pelos cães, ou foram crucificados, ou os queimaram de noite para servirem como de archotes e tochas ao público. Nero ofereceu seus jardins para este espetáculo...”.

Isto seria apenas o início de uma longa série várias perseguições, em sua maioria promovidas pelo estado no intuito de apagar a chama que se acendera no Pentecoste. Domiciano, Trajano, Adriano, Antonino Pio, Marco Aurélio, Décio. Todos eles tiveram, na destruição da Igreja Cristã, parte de sua política. Os cristãos foram queimados, crucificados, decapitados, lançados às feras do Coliseu. Mas como no Egito, "quanto mais os afligiam... tanto mais se multiplicavam e se espalhavam" (Ex 1.12).

Apesar de submetido a duras perseguições, por parte dos romanos e dos judeus, o Cristianismo adquire, no decorrer dos séc. II e III, grande força política que se consolida no governo de Constantino (306-337), primeiro imperador cristão. Em Antióquia, pela primeira vez, os discípulos foram chamados cristãos (At 11, 26), designação que os próprios seguidores de Cristo só começam a aplicar a si mesmos por volta do séc. II.

O número de mártires crescia à medida em que as conversões aumentavam e o império se sentia contestado. Inicialmente considerado pelos romanos como um simples ramo do judaísmo (At 18,14-16), o cristianismo foi aos poucos suscitando a hostilidade dos judeus e cresceu o bastante para assinalar diferenças e evocar toda sorte de perseguições. Surgiram então os Atos dos mártires, documentos que narravam os padecimentos e morte dos cristãos condenados e que se destinavam à leitura nas comemorações anuais em sua honra, como ato de culto público. Tomavam como base as informações oficiais dos julgamentos e os testemunhos pessoais. Entre os Atos conhecem-se o Martírio de Policarpo (115), Atos de Justino e seus companheiros (163-167) etc.

A expansão da Igreja, no entanto, continua intensiva. No ano 200, o rei Abgaro, de Edessa (Mesopotâmia), converte-se ao cristianismo. Na Grécia, sem contar Tessalonica e Corinto, os progressos não eram grandes. No Egito penetra entre a população nativa. Na medida em que a nova crença vai se difundindo, implantam-se as primeiras comunidades cristãs, fora dos limites da Palestina, passando a ação apostólica a se dedicar à conversão dos gentios. O desenrolar desses acontecimentos acha-se registrado nas epístolas de Paulo, dirigidas a núcleos estabelecidos em diferentes regiões do Império Romano. A coríntios, tessalonicences, gálatas, efésios, filipenses, romanos e colossences, envia o apóstolo suas mensagens, confortando-os e aconselhando-os como agir de acordo com os desígnios cristãos.

A seguir, o Cristianismo começa a difundir-se no Oriente, durante o séc. I. Antióquia, na Síria, transforma-se em centro de irradiação do trabalho missionário, que se estende até a Ásia Menor. Os êxitos das igrejas do oriente foram excelentes. O monacato e o ascetismo deram à Igreja egípcia (copta) um enorme fervor missionário que os levou à Etiópia e aos reinos núbios. A Igreja nestoriana, entre os séculos VII e XI, alcançou o tamanho e a influência de qualquer outra igreja cristã da sua época: no ano 1000 havia cerca de 25 províncias metropolitanas e uns 250 bispados que abrangiam territórios na Síria, China, Arábia, etc.